Canadá: Um lugar curioso…

Posted On Dezembro 4, 2008

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O Canadá é, definitivamente, um lugar curioso.

Apesar da vastidão do seu (gelado) território, é um país de “pequeno porte”. Sua população (cerca de 32 milhões) é menor que a do estado de SP (41 milhões). E pra piorar, é vizinho da maior potência mundial da atualidade, fazendo seu tamanho parecer ainda menor…

O Canadá atravessa uma crise política poucas vezes vista em sua história. Pouca gente fora do Canadá, porém, se deu conta disso. Em tempos de crise de bancos e montadoras a beira da falência, quem quer saber do primeiro-ministro do Canadá?

Imagino que uma crise parecida com a que passamos aqui nunca aconteceria no Brasil. Na verdade, seria uma coisa tão corriqueira que nem seria digna de nota de rodapé de jornaleco. Estamos tão (e mal) acostumados com “acordos políticos” de caráter (no mínimo) questionáveis que o que acontece aqui parece reunião de garotos.

Em outubro o país passou por eleições. Por aqui, não se vota no presidente (até porquê não há presidente. Quem manda é a Rainha da Inglaterra… Ok, quase isso… mas é assunto para outro email). Aqui se vota em representantes locais. Quando os representantes se unem em Ottawa eles votam no chefe do seu partido para primeiro-ministro. Logo, você vê na campanha o chefe do partido, mas vota em um representante local.

Um governo com maioria na câmara (com um partido com mais de 50% das cadeiras) é o sonho de todo partido/candidato, e foi isso que o atual primeiro-ministro (Stephen Harper) pensou ao chamar eleições em Outubro (sim, as eleições são “convocadas”). Acontece que ele não tinha maioria na câmara antes, e não conseguiu maioria depois… ficou mais ou menos como estava antes. O partido dele é o que tem mais cadeiras, mas não a maioria delas.

Por tradição, o partido com mais cadeiras (com maioria ou não) indica o primeiro-ministro. É assim e pronto, a mais de 100 anos. Só que esqueceram de combinar com a oposição dessa vez.

Seguindo o costume de partidos brasileiros (que fazem as tais “coalizões” de esquerda a direta, unindo cães, gatos, cachorros, papagaios e tucanos no mesmo balaio), a oposição que anda “aborrecida” com as últimas medidas do Harper, se uniu em um bloco gigante (com maioria das cadeiras) e apontou um dos perdedores como novo primeiro-ministro (Sthepanne Dion). Há dias não se fala em outra coisa na TV. A população, espantada, está dividida: Muitos dizem que quem ganhou a eleição tem que governar. Outros acham que não tem nada de errado na tal coalizão (já que a maioria do pais não votou no outro também). Ontem teve pronunciamento em rede nacional do Harper dizendo que o governo atual foi eleito democraticamente e blablabla, e que os outros são uns bobões-feios que querem brincar com o brinquedo que ele “democraticamente ganhou (ou quase isso)

A representante da Rainha no Canadá foi chamada de viagem que fazia pela Europa para ajudar a decidir o que fazer. Dissolver o parlamento e fazer nova eleição (representando custo de 300 milhões de dolares), “congelar” o parlamento até janeiro ou fazer uma votação interna no parlamento para saber se os representantes do povo querem a continuidade do Harper ou não (claro, no momento essa votação seria um não)

Do ponto de vista deste humilde imigrante, a imprensa exagera nas notícias. Acho que nada de mais vai mudar com esse ou aquele primeiro ministro. Acho sim que não acontece muita coisa nesse pais digna de manchete sensacionalista (sério) e eles exploram o (pouco) que tem.
Querem saber o que o pais vizinho pensa disso tudo? Nada! A tal “crise” canadense foi digna de nota na página 15 do principal jornal de Washington… :D

Apesar de achar tudo isso engraçado, gosto de ver como eles exageram nos seus problemas… Quer dizer que o lugar onde vivo não tem problemas o suficiente para ocupar o telejornal!

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